A empresária e especialista em economia de baixo carbono, Patrícia Ellen, afirmou que a transição energética pode dobrar o crescimento econômico do Brasil, impulsionando o país a um avanço de 5% ao ano. A declaração foi feita na manhã desta quarta-feira (12/3), no Brasil Summit, evento promovido pelo Lide, em parceria com o Correio, no Brasília Palace Hotel. O encontro reuniu autoridades do governo, líderes empresariais e especialistas do setor para discutir o futuro da economia brasileira e o papel do país na transição energética global.
“O Brasil é a única grande nação, nesse contexto geopolítico tenso, que pode transformar esse grande desafio climático em oportunidade econômica”, afirmou Patrícia. Segundo ela, a transição energética não é apenas uma necessidade ambiental, mas um motor de crescimento que pode gerar quase 100 bilhões de dólares por ano ao país.
A cofundadora da AYA Earth Partners destacou que o Brasil tem vantagens estratégicas para se consolidar como um centro global de energia renovável, devido à abundância de recursos naturais e às cadeias produtivas sustentáveis. “Hoje, temos 90 milhões de hectares degradados de terra que podem ser recuperados, para que nós possamos expandir a produção de biocombustíveis sem gerar competição com a produção de alimentos ou impactar áreas de terras florestais”, explicou.
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Além disso, a empresária ressaltou que o país pode desempenhar um papel crucial no mercado de combustíveis sustentáveis para aviação (SAF). “O Brasil tem a oportunidade real de alcançar 10% do mercado global de SAF no mínimo, adicionando até 40 bilhões de dólares para o nosso mercado”, afirmou.
Outro ponto abordado por Patrícia foi a necessidade de investimentos massivos em tecnologia para que o Brasil avance na cadeia produtiva e agregue valor à economia. “Para que isso aconteça, é muito importante que a gente sente nas mesas de negociação, principalmente no âmbito internacional, lembrando que a primeira etapa é fornecer a commodity básica, mas é muito importante negociar para que nós possamos passar a produzir e exportar produtos de maior valor agregado”, alertou.
A fala de Patrícia Ellen reflete a crescente expectativa para a COP30, que acontecerá em Belém, no Pará, em novembro de 2025. Segundo ela, o evento será uma oportunidade para o Brasil consolidar sua liderança global na economia de baixo carbono e na diplomacia climática.